Índia proíbe circulação de plásticos de uso único

Objetivo é conter a poluição. Todos os anos, cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos plásticos são gerados no país asiático.

Canudos, copos, talheres, palitos de sorvete e outros itens de plástico descartável não podem mais ser produzidos, importados, distribuídos e vendidos na Índia. A proibição, válida desde 1º de julho, é uma tentativa do governo indiano de combater a poluição nos cursos d´água e ruas do país.

Plásticos de uso único são vistos em praticamente todo lugar na Índia, sobretudo na capital, Nova Délhi, que gera 1.060 toneladas de resíduos plásticos por dia. No país todo, cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos plásticos são gerados por ano. O lixo que não é incinerado em aterros sanitários, contribuindo com a poluição do ar, acaba em rios e oceanos, prejudicando a vida marinha.

Apesar da grande quantidade de plástico já estocada nos solos e mares, a tendência é que a produção do material dobre nos próximos anos. Estudos mostram que, em 2025, a produção mundial de plástico deverá atingir mais de 600 milhões de toneladas por ano, um aumento de 50% em relação à produção atual.

A Índia é o terceiro país do mundo que mais consome produtos de plástico, atrás apenas dos Estados Unidos e China. Para combater o uso excessivo do material, o governo indiano estipulou multa de até 100 mil rúpias ou pena de cinco anos de prisão para quem descumprir a regra.

Tendência mundial

Países como Canadá, Espanha, Alemanha e França também adotaram medidas para conter a poluição plástica. Em 2021, o governo canadense proibiu sacolas, canudos, palitos, fechos de embalagens, talheres e utensílios alimentares à base do material que são difíceis de reciclar. Além de zerar o lixo plástico nos próximos 10 anos, o país pretende aumentar o índice de plásticos reciclados.

Na Alemanha, cotonetes, talheres, pratos, canudos, colheres e copos descartáveis de plástico não podem ser comercializados desde o ano passado. O país também vetou o comércio de embalagens de poliestireno (isopor), permitindo apenas a venda de itens que já foram fabricados ou que não possuem substitutos viáveis, como lenços umedecidos e absorventes.

Na França e Espanha, o veto abarca plásticos utilizados para embalar frutas e verduras. Ambos os países tentam se adequar às recomendações da União Europeia, que pretende diminuir a quantidade de plástico descartável consumida no bloco.

Ainda não há uma proibição nacional no Brasil, mas alguns municípios, como São Paulo, já adotaram medidas contra o plástico. Na capital paulista é proíbido, desde o ano passado, o fornecimento de utensílios plásticos de uso único, como canudos, copos, pratos, talheres e agitadores para bebidas em estabelecimentos comerciais. 

Obstáculos

Embora seja uma tendência no mundo todo, o veto aos plásticos não é bem aceito na Índia. A indústria exerce grande pressão para adiar a proibição, alegando que o governo não deu tempo suficiente para os fabricantes se adequarem às mudanças e que milhares de empregos podem ser perdidos.

O fundador da Fundação para Campanha Contra a Poluição Plástica, Anoop Kumar Srivastava, destaca que o plástico é barato e uma mercadoria pobre. Para ele, esse fato é o maior dificultador na implementação da nova regra, já que parte dos comerciantes utilizam o material pelo seu baixo custo. Apesar das dificuldades, ambientalistas defendem a medida, que trará grandes ganhos ao planeta.

 

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