Jovem brasileira desenvolve plástico ecológico feito de buriti

Crédito: Biocompósito/Reprodução Youtube

Período de decomposição do material é de apenas 15 dias na água e 20 dias no solo.

Um novo tipo de plástico biodegradável foi desenvolvido, a partir da palmeira buriti (Mauritia flexuosa), pela estudante Ana Beatriz de Castro Silva, de apenas 17 anos. A jovem, enquanto cursava o último ano do ensino médio, criou três materiais a partir de diferentes partes da planta. Durante a pesquisa, ela fez uso da casca, entrecasca e da polpa do fruto.

Cada composto químico produzido naturalmente pelas moléculas retiradas da árvore, obteve resultados diferentes, como resistência, transparência e flexibilidade. A estudante conseguiu produzir, com a casca do fruto, um plástico resistente e adequado para aplicações em revestimentos de pisos e paredes.

Com a entrecasca, foi criada uma textura transparente, semelhante ao acrílico. Já a polpa do fruto, foi ideal para produzir biofilme: uma película flexível que pode ser utilizada na produção de sacolas compostáveis.

Os resultados das pesquisas de Ana Beatriz indicam que a produção do bioplástico é bastante viável. Segundo as análises, a tecnologia pode ser usada tanto para o desenvolvimento social quanto para o desenvolvimento de alternativas ao plástico para a indústria.

Vantagens do bioplástico

Após a produção dos biopolímeros – compostos químicos produzidos a partir da ação de seres vivos – Ana Beatriz trabalhou com a caracterização biotecnológica. Foi testada a opacidade, as propriedades mecânicas, a resistência química e a capacidade de degradação do solo.

Durante os testes, a aluna descobriu que o período de decomposição do material é de apenas 15 dias na água e 20 dias no solo. O plástico que utilizamos, normalmente, demora 450 anos para se decompor na natureza. Além de se decompor com facilidade, o material ajuda na adubação de plantas, servindo como fertilizante natural.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cada buriti produz de cinco a sete cachos por ano. Em cada cacho, nascem de 400 a 500 frutos. A colheita do fruto já garante a renda de inúmeras famílias brasileiras, e a tendência é que mais empregos sejam gerados com a produção industrial do plástico de buriti.

Sobre o Buriti

O buriti é uma planta típica do Cerrado, considerada uma das mais singulares e abundantes palmeiras do país. Alastra-se em brejos e regiões pantanosas, servindo como um indicativo de que existe água na região. O fruto desta planta pode ser consumido em forma de polpas, sucos, doces e sorvetes, sendo rico em vitaminas, cálcio, ferro e proteínas.

O óleo extraído do fruto é rico em caroteno e tem valor medicinal, por ter ação vermífuga, cicatrizante e energética natural, além de ter propriedades hidratantes e energizadoras para a pele e cabelos. Uma curiosidade é que as folhas desta árvore também servem para a criação de tapetes, chapéus e artesanatos.

O buritizeiro também tem grande importância por alimentar e fornecer abrigo para espécies da fauna, como macaco-da-noite, jabuti, veado-mateiro, queixada, anta, ema, dentre outros. Para os rios, o buriti é crucial. Ele tem o poder de conservar locais alagadiços, de água pura e permanente. Em locais onde as nascentes estão secando é recomendado plantar a palmeira.

Saiba mais sobre a iniciativa:


Com informações de Ciclo Vivo

Rua Antares, 100, Santa Lúcia
Belo Horizonte / MG CEP: 30360-110
Telefone: (31) 3291 0661

Assine e receba as novidades e notícias sobre nossas ações, eventos e meio ambiente