Três cidades mineiras destruíram mais de 17 mil hectares de Mata Atlântica na última década
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- 01 de Outubro de 2020
Entre 2018 e 2019, Minas perdeu quase 5.000 hectares de floresta, fazendo do Estado campeão de desmatamento do bioma mais uma vez.
Em ritmo de destruição alarmante, a Mata Atlântica perdeu mais de 14 mil hectares entre 2018 e 2019, um aumento de 27,2% em comparação ao último período analisado. O que mais impressiona é fato de que só 3% dos municípios do bioma sejam responsáveis por mais de dois terços (71%) do desmatamento registrado no período. Isto é, a destruição está concentrada em apenas 100, das 3.429 cidades sob domínio do bioma.
Dos 100 municípios que mais suprimiram a vegetação nativa, 40 estão em Minas Gerais, 23 na Bahia, 22 no Paraná e 15 em outros estados. As informações são do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“O que nos impressiona é a atitude negativista do governo frente ao assunto, escudando-se em argumentos irrelevantes como “Minas tem a maior área de Mata Atlântica do país”. Queremos uma política de governo, pactuada e transparente com a sociedade, pois o governo tem obrigação constitucional de proteger o que restou do bioma no Estado. Derrubar a Mata Atlântica não é interesse social. É privado. Mas, entra governo, sai governo e o desmatamento continua”, afirma Dalce Ricas, superintendente da Amda.
Ranking
O município de Manoel Emídio (PI) foi o que mais derrubou a Mata Atlântica entre 2018 e 2019, com 879 hectares. Há dez anos, a cidade é a maior destruidora do bioma ao lado de Alvorada do Gurgueia, também no Piauí, onde o desmatamento diminuiu e não aparece no ranking. Em segundo lugar ficou Gameleiras, em Minas Gerais, que desmatou 434 ha no período.
Veja o ranking completo – 2018/2019
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Colocação |
Município / UF |
Hectares desmatados |
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1º |
Manoel Emídio (PI) |
879 |
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2º |
Gameleiras (MG) |
434 |
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3º |
Canto do Buriti (PI) |
404 |
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4º |
Nova Laranjeiras (PR) |
332 |
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5º |
Cotegipe (BA) |
287 |
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6º |
Porto Seguro (BA) |
240 |
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7º |
Guarapuava (PR) |
218 |
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8º |
São Félix do Coribe (BA) |
193 |
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9º |
Jequitinhonha (MG) |
191 |
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10º |
Santa Luzia (BA) |
188 |
Minas lidera destruição
Assim como o Piauí, Minas Gerais é figurinha carimbada no ranking de desmatamento. Na última década, a 3º, 4º e 5º colocações ficaram sempre com os municípios mineiros de Ponto dos Volantes, Águas Vermelhas e Jequitinhonha. Os dois últimos, por algum motivo, registraram queda de 20% e 64% com 191 e 137 hectares desmatados, respectivamente, saindo do topo da lista e ocupando o 9º e 21º lugares.
De acordo com o levantamento, esses municípios fazem parte, desde 2012, do chamado Triângulo do Desmatamento da Mata Atlântica. Na última década, Ponto dos Volantes, Águas Vermelhas e Jequitinhonha foram responsáveis pela destruição de mais de 17 mil hectares de Mata Atlântica. Embora Manoel Emídio e Alvorada do Gurgueia liderem o acumulado dos últimos 10 anos, os municípios mineiros, juntos, fizeram maior estrago.
Entre 2018 e 2019, Minas perdeu quase 5.000 hectares de floresta nativa, fazendo do Estado campeão de desmatamento da Mata Atlântica mais uma vez. A expansão da fronteira agropecuária – apesar da quantidade de áreas já desmatadas e inutilizadas – crescimento urbano, fabricação de carvão, minerações predatórias e incêndios são citados pela Amda como as principais causas do desmatamento.
Não podemos nos calar diante da destruição dos nossos rios, animais e florestas. Assine petição e ajude a proteger a Mata Atlântica. Faça sua parte!
Metodologia
O Atlas dos municípios traz informações de todos os remanescentes de vegetação nativa e áreas naturais do bioma acima de três hectares. Para as cidades do Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo é possível obter dados acima de um hectare.

