Exploração dos recursos naturais é responsável por 90% da perda de biodiversidade e estresse hídrico

Indústria fóssil é um dos setores que mais extrai recursos da natureza

Até 2060, uso global de materiais pode dobrar, sobrecarregando ainda mais os ecossistemas

A expansão populacional e o crescimento econômico são as maiores pressões sobre os recursos naturais do planeta. No ano passado, em agosto a humanidade já havia esgotado os recursos que deveriam perdurar por 12 meses. Foi o Dia de Sobrecarga da Terra mais precoce desde 1970, quando o mundo estourou seu orçamento ambiental pela primeira vez. Desde então a extração de recursos triplicou, pressionando ainda mais os ecossistemas, alertou relatório das Nações Unidas.

Desenvolvido pela seção de Meio Ambiente da ONU, o Panorama Global sobre Recursos 2019 destacou que cerca de 90% da perda de biodiversidade e estresse hídrico estão relacionados à extração e transformação de recursos naturais. As atividades ainda são responsáveis por aproximadamente metade das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) mundiais.

Os recursos mais explorados são materiais, alimentos e combustíveis fósseis, cujo uso quase dobrou desde 1970. Estima-se que a quantidade de carvão, petróleo e gás natural extraídos em 2017 chegou a 15 bilhões, contra 6 bilhões retirados há 47 anos. Anualmente, o uso dos minerais metálicos cresce 2,7%, refletindo a importância que possuem em projetos de infraestrutura, manufatura e produção de bens de consumo.

Igualmente às ligas metálicas, os minerais não metálicos, como areia, cascalho e argila, têm sido cada vez mais procurados. A utilização desses bens, empregados principalmente na construção civil e produção de fertilizantes, aumentou cerca de cinco vezes desde os anos 1970. Conforme o levantamento, a areia utilizada em construções está sendo extraída hoje em níveis insustentáveis.

O prognóstico é que, até 2060, o uso global de materiais pode dobrar. Hoje, o volume de recursos extraídos gira em torno de 92 bilhões de toneladas, podendo chegar a 190 bilhões de toneladas nas próximas décadas. Nesse cenário, as emissões de gases do efeito estufa poderiam aumentar em 43%.

“A extração de materiais é um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas e perda da biodiversidade - um desafio que só vai piorar a não ser que o mundo empreenda urgentemente uma reforma sistemática do uso de recursos”, concluiu o especialista em mudanças climáticas da ONU Meio Ambiente, Niklas Hagelberg.

Para os autores do estudo, é possível melhorar a maneira como extraímos e processamos os recursos, reduzindo os impactos ambientais associados ao desenvolvimento econômico. Dentre as soluções está o financiamento sustentável, no qual os governos podem fornecer incentivos fiscais a projetos ambientais. Outra alternativa é promover a economia circular, estabelecendo infraestruturas eficazes de reciclagem e promovendo designs inteligentes para aumentar a vida útil dos produtos.

Enquanto a indústria explora grandes quantidades de minerais, a agricultura colabora para escassez de água, segundo a pesquisa. Entre 2000 e 2012, 70% de toda água extraída no planeta foi direcionada aos cultivos agrícolas, enquanto a indústria utilizou 19% dos recursos hídricos retirados.

Outro impacto da agricultura sobre os recursos naturais é o uso indiscriminado do solo. Em uma década (2000-2010), a área total de terra para cultivos no mundo aumentou de 15,2 milhões de km² para 15,4 milhões de km². Apesar de terem diminuído na Europa e América do Norte, os campos agrícolas expandiram na Ásia, África e América Latina.

Matriz fóssil

Dados de 2014 do Banco Mundial mostram que 66% da energia global é fornecida por combustíveis fósseis. Para os especialistas, acelerar a transição energética da matriz fóssil para a renovável é a chave para preservação dos recursos. Entretanto, os subsídios destinados ao setor fóssil são muito maiores que os cedidos às energias renováveis, mesmo que os custos de geração das modalidades verdes tenham caído nos últimos anos.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), os investimentos em energias renováveis caíram 2% em 2018, enquanto os incentivos a projetos de petróleo e gás não param de crescer. Essa tendência é observada desde 2017, quando a quantia aplicada ao fomento de energias fósseis ultrapassou 300 bilhões de dólares, contra U$270 bilhões investidos no ano anterior.

 

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