Criação de unidades de conservação auxilia na proteção de aves ameaçadas de extinção

Periquito-da-cara-suja está presente apenas na APA da Serra do Baturité (CE) / Crédito: divulgação

Áreas de ocorrência do periquito-da-cara-suja e rolinha-do-planalto foram transformadas em UCs recentemente

Desmatamento, incêndios florestais e tráfico são alguns dos principais fatores responsáveis pela extinção de diversas espécies. A criação de unidades de conservação de proteção integral, até o momento, tem sido a estratégia mais eficaz para preservá-las e reverter este quadro. Dois projetos, um no Ceará e outro em Minas Gerais, apoiados pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, seguem esta linha para proteger o periquito-da-cara-suja e a rolinha-do-planalto.

Este periquito é considerado em perigo de extinção, com cerca de 300 indivíduos que vivem na Serra do Baturité. O projeto "Aves da Serra do Baturité", da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), luta pela sua proteção e de outras 11 espécies que vivem no local. Instalação e monitoramento de ninhos artificiais para estimular a reprodução na natureza e evitar a retirada de filhotes por caçadores, sensibilização em escolas e comunidades contra o tráfico de animais e censos populacionais das aves estão entre as ações previstas. O projeto auxiliou na criação de duas áreas protegidas na região: a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sítio Lagoa e uma unidade de conservação na categoria Refúgio de Vida Silvestre.

"Projetos como esse são essenciais para conservarmos as áreas naturais remanescentes de nossos biomas e preservarmos as espécies que nelas sobrevivem. A criação de unidades de conservação tem sido a melhor estratégia para garantir que os animais silvestres se mantenham e reproduzam no seu habitat", afirmou o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Emerson Antonio de Oliveira.

Rolinha-do-planalto

Depois de 75 anos desaparecida, a rolinha-do-planalto foi redescoberta em 2015 na cidade mineira de Botumirim. A ave é uma das mais raras do mundo e seu status atual é "criticamente em perigo de extinção", de acordo com a BirdLife International/IUCN (2017).

Em 2016, a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil) iniciou o projeto de conservação da rolinha-do-planalto focado em expedições para localizar novas populações – o que ainda não ocorreu – , na articulação para a criação de unidades de conservação e estudos sobre a ecologia da espécie. O trabalho resultou na criação, neste ano, de uma reserva e um parque estadual. "A reserva, com 593 hectares, foi comprada pela instituição em fevereiro deste ano. Lá são feitas pesquisas, buscamos novas populações e engajamos a comunidade local por meio da educação ambiental e da promoção do turismo, principalmente da observação de aves", contou o responsável técnico do projeto, Albert Gallon de Aguiar.

O Parque Estadual de Botumirim, criado em julho deste ano, possui 36 mil hectares que protegem toda a população conhecida da espécie - são cerca de 15 indivíduos. "Agora, é importante pensar em medidas de manejo conscientes visando o aumento da população da rolinha-do-planalto. Por mais que a área e os habitats estejam protegidos, a espécie continua vulnerável e por isso a importância de continuar atuando com ações de conservação", disse Pedro Develey, diretor da SAVE Brasil e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

 

*Com informações da Central Press

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