Algas invadem praias latinas e ameaçam biodiversidade

Retirada de sargaço na cidade costeira de Tulum, em Quintana Roo (México)/Crédito: Israel Leal Reuters

Proliferação do sargaço prejudica fotossíntese de outras plantas e reduz a quantidade de oxigênio na água

 

A multiplicação do sargaço, macroalga castanha do gênero Sargassum, tem ameaçado a biodiversidade na costa caribenha do México. O estado de Quintana Roo, detentor dos destinos mais badalados do país mexicano – como Cancún e Riviera Maya –, é o mais afetado pela planta. Quilômetros de extensão de sargaço também atingiram as ilhas de Antígua e Barbuda, Bonaire e Guadalupe.

Segundo autoridades do México, entre 29 de junho e 31 de julho deste ano foram retirados 119 mil metros cúbicos de sargaço em praias de sete municípios. Após viajarem de Trindade até a República Dominicana em 2011 e invadir Cuba no ano seguinte, a alga chegou as Caraíbas. Estima-se que de 2015 a 2018 a quantidade de sargaço duplicou na região.

Por ser uma planta que flutua no mar e se movimenta conforme as correntes oceânicas, o sargaço invade facilmente os litorais. A alga também se multiplica assustadoramente. Em condições favoráveis, o sargaço pode dobrar seu peso em apenas 18 dias.

A maior concentração da variedade, que pertence principalmente às espécies Sargassum natans e Sargassum fluitans, está no Mar dos Sargaços. Trata-se de uma extensão de aproximadamente 5 milhões de km2 de águas quentes, cercada por quatro correntes oceânicas. Com início na América do Norte, o mar vai até a Europa.

Devido à abundancia de nutrientes do local, os sargaços constituem campos de vegetação flutuante que servem de alimento e abrigo para diversas espécies marinhas, como peixes, crustáceos, tartarugas e aves. Entretanto, quando invadem outros ecossistemas, essas plantas podem causar sérios impactos.

Mais do que prejuízos ao turismo, as algas em excesso podem gerar uma catástrofe ambiental. Sua presença impede a penetração da luz, prejudicando o processo de fotossíntese de outras plantas, e reduz a quantidade de oxigênio na água. Organismos residentes do fundo do mar, como os prados, já desapareceram em algumas zonas por causa da baixa incidência de raios solares.

Além disso, grande parte do sargaço chega à costa e se decompõe na areia, liberando gases que, em grandes quantidades, podem ser tóxicos aos humanos. A decomposição da matéria orgânica também aumenta a quantidade de nutrientes na água, fazendo com que ela perca a característica cristalina.

Especialistas ainda desconhecem a causa exata da proliferação da planta, mas as explicações mais prováveis são aquecimento das águas e aumento de nutrientes. A primeira possibilidade está relacionada ao aquecimento global e a segunda à contaminação das águas por fertilizantes poluidores. Mudanças nas correntes oceânicas e transportes marítimos também podem interferir no aumento do sargaço.

Medidas

No mês passado, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais de Quintana Roo anunciou a construção de barreiras em Riviera Maya para frear a expansão do sargaço. A ideia é aproveitar as correntes marinhas para desviar o fluxo de algas para alto mar.

Nas demais localidades afetadas, a retirada dos sargaços está sendo feita manualmente ou com a ajuda de máquinas. Um comitê entre entidades governamentais e empresas também foi criado a fim de discutir consequências e alternativas para contenção do fenômeno. Atualmente, uma das medidas adotadas foi alimentar bovinos com sargaço.

Iniciativas para converter as algas em produtos ecologicamente corretos também estão em desenvolvimento. Há alguns meses, jovens mexicanos criaram a ‘Salgax’, uma empresa de biotecnologia marinha que produz fertilizantes líquidos a partir de algas. A abertura do negócio foi possível após o grupo ganhar 325 mil pesos (US$ 17,4 mil) do Desafio Empreendedor de Yucatán, na edição de 2017. Os jurados concederam a quantia aos jovens com a promessa de que o projeto solucionaria parte do problema com o sargaço.

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