Deserto do Atacama, o deserto mais alto e árido do mundo. Era esse o destino da minha viagem, que começou em São Pedro do Atacama, norte do Chile.
Nessa cidadezinha, uma das poucas inseridas no deserto e que está a 2.400 metros de altitude, eu e mais quatro amigos, três franceses e uma brasileira, fomos logo procurar uma agência de viagens que percorresse o deserto, passando por seus principais pontos, até o Salar de Uyuni, na Bolívia, nossa parada final. Não foi difícil encontrar uma boa agência, já que São Pedro é considerado o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro, e, portanto, os serviços ligados ao turismo estão dispostos lado a lado. Entre várias propostas, nos ofereceram um tour de três dias pelas mais variadas paisagens do deserto, a bordo de um jipe 4X4. Aceitamos. No dia seguinte sairíamos bem cedo, às cinco da manhã.
A expectativa era enorme. Sabia que iria ao encontro de paisagens incríveis e únicas. No começo do trajeto, via o que era de se esperar em um deserto: um longo terreno seco, que parecia impossível abrigar algum tipo de vida. Engano meu. Em meio à imensidão de terra arenosa, debaixo de um sol muito quente, surgia um grupo de lhamas, que parecia não gostar muito da nossa presença. Quando chegávamos perto, saiam disparadas no sentido oposto. Tudo bem, ainda não estavam acostumadas com os milhares de turistas que estão sempre ali, explorando a área. Mas a surpresa com as lhamas foi pequena comparada com a que tive ao me deparar com um imenso lago, no meio do nada. E não era miragem.
A Laguna Blanca estava lá, com suas águas tranquilas, que mais pareciam um espelho, refletindo a imagem de montanhas que a cercava e também do céu. Flamingos, com suas cores rosadas, completavam a cena. Lagoa, céu, montanhas e flamingos formavam harmoniosamente uma paisagem única que jamais esperava encontrar em um deserto. A partir daí, foram surpresas atrás de surpresas. Próxima parada seria na Laguna Verde, bem próximo de onde estávamos. Uma grande laguna, mais agitada que a primeira, já que com o vento, formavam-se pequenas ondas, que com sua cor esverdeada, em um terreno esbranquiçado, parecia mais um pequeno mar. No fundo, o Vulcão Licancabur, uma imponente montanha localizada exatamente na linha divisória do Chile com o extremo sul da Bolívia. Simplesmente lindo.
Paramos para comer e dormir em um pequeno hotel. Assim que acordamos, fomos conhecer a famosa Árvore de Pedra, formações rochosas feitas com lava de vulcão. Lá escalamos pedras enormes, tiramos muitas fotos e vimos, não muito de perto, um vulcão ainda ativo. Outra surpresa do dia foram os Géisers del Tatio, localizados a mais de quatro mil metros de altura. O vapor de água, rico em minerais, brota das pedras de uma forma mágica. Se não fosse o frio e o desagradável cheiro de enxofre, teríamos ficado mais tempo por lá. Mas ainda tínhamos a Laguna Colorada e a piscina de águas quentes e naturais no meio do deserto para conhecermos.
Esta laguna, diferentemente das outras que possuem uma cor característica e constante, por causa de algas, sempre muda de cor durante as tardes, tornando-se avermelhada. Depois que conhecemos esse grande espetáculo da natureza, fomos descansar na piscina. Lá encontramos turistas de várias partes do mundo, todos tomaram coragem, encararam o vento frio e entraram na piscina. Difícil era sair de lá depois. Já estava ficando tarde e no nosso último dia iríamos conhecer o que eu mais esperava: o Salar de Uyuni.
Depois de muitas horas de viagem, fomos para outro hotel, onde íamos passar nossa última noite no deserto. Este hotel, bem próximo ao Salar, tinha o piso todo coberto por sal e paredes, mesas, cadeiras e até camas construídas com sal. Lá conheci outros brasileiros, fizemos um grupo e jogamos baralho toda a tarde, até quando cortaram a luz. Já era hora de dormir. No terceiro dia acordamos cedo como no primeiro, fomos ver o sol nascer no enorme “mar de sal”. Uma paisagem indescritível e o melhor momento de toda a viagem. O Salar, a maior planície salgada do mundo, com cerca de 12.000km² de área, foi formado depois que um lago pré-histórico secou, aproximadamente 40.000 anos atrás. Uma imensidão branca.
Para completar, fomos até a Isla del Pescado, uma ilha no meio do infinito branco, com muitas pedras e inúmeros cactos gigantes! Estávamos a mais de três mil metros acima do nível do mar e da ilha tínhamos uma idéia da imensidão do Salar de Uyuni.
Conhecer paisagens assim, únicas e imagináveis e estar em contato com uma fauna e flora tão diversificadas do Deserto do Atacama fizeram dessa viagem a melhor experiência da minha vida. Mais do que conhecer pessoas e culturas diferentes, esses três dias no deserto me mostraram a grandiosidade da natureza e principalmente a importância de preservá-la. Eu recomendo.
Fernanda Corrêa, 21 anos – Estudante de jornalismo – estagiária da Amda - Belo Horizonte – MG