Maior remanescente de mata atlântica de MG, parque estadual no Vale do Aço ganha obras de apoio à pesquisa científica, ao turismo e à conservação, com investimentos de R$ 3,5 milhões
Marliéria – A beleza natural do terceiro maior ecossistema de lagoas do Brasil ganha brilho com a inauguração de obras de apoio ao turismo e à pesquisa no Parque Estadual do Rio Doce, em uma área de 36 mil hectares, nos municípios de Marliéria, Dionísio e Timóteo, no Vale do Aço. A comemoração, no maior remanescente contínuo de Mata Atlântica em Minas, vem acompanhada de discussão sobre sua preservação. Cerca de 40 pesquisadores e Ambientalistas estão reunidos na unidade de conservação para debater a Biodiversidade mineira e, hoje, vão entregar ao governador Aécio Neves (PSDB) documento com diretrizes para a conservação e preservação do bioma.
As melhorias feitas no Parque do Rio Doce somam R$ 3,5 milhões, recursos do Programa de Proteção à Mata Atlântica (Promata) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF). O destaque é o Revés de Belém. São dois laboratórios e um posto de fiscalização da polícia ambiental em cima de uma ponte que foi erguida sobre o Rio Doce, em 1966. A intenção dos exploradores era construir depois da ponte uma estrada que ligaria as siderúrgicas da região às plantações de eucalipto, atravessando o parque.
O zoólogo aposentado Célio Valle, atual diretor de Biodiversidade do IEF, foi um dos Ambientalistas que barraram a conclusão da obra na época. Ontem, ele pôde testemunhar a transformação da ponte de ameaça em aliada do Meio Ambiente, com a construção da Unidade de Apoio à Pesquisa e Fiscalização. "É uma vitória que levou 40 anos. O lado norte é muito pouco protegido e estudado. Essa é uma ponte de ganho para a proteção dessa gota de Mata Atlântica num mar de eucalipto", comemora.
Fazem parte das melhorias do parque a reforma de um posto de fiscalização e um centro de visitantes, viveiro e galpão de sementes, além da construção de um centro de visitantes e de decks em duas das 40 lagoas da unidade. Elas serão um atrativo para as mais de 18 mil pessoas que visitam o parque anualmente e apoio para quem deseja desvendar segredos escondidos em 1,1 mil espécies de vegetais, 325 de aves, 77 de mamíferos e 28 espécies de peixes. Atualmente, são 80 estudos em desenvolvimento.
Pacto
Algumas das intervenções serão entregues oficialmente hoje por Aécio Neves. Entre elas o fato de a primeira unidade de conservação do estado, fundada em 1944, ser incluída na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional, conhecida como Lista Ramsar. Até então, eram apenas oito reservas brasileiras com esse título. O governador assina ainda o pacto pela restauração da Mata Atlântica, junto à Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. O compromisso visa recompor até 2050 um terço do bioma que amarga uma destruição de 92% no território brasileiro.
"A ideia é expandir para outros parques a experiência do Rio Doce. Acabamos de fechar outro acordo com um grupo alemão de 15 milhões de euros para continuar o trabalho de preservação da Mata Atlântica", ressalta o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho.