Ontem (31), durante o encontro "Em Direção a uma Nova Governança Mundial de Meio Ambiente", realizado em Paris, líderes políticos e ambientalistas criticaram as ambições do Brasil para a Rio +20 e mostraram-se preocupados com a suposta “falta de foco” das propostas feitas pelo governo brasileiro. O temor é de que, alargando as discussões, a Conferência não resulte em nada.
As críticas sobre as prioridades brasileiras, antes feitas a portas fechadas, tornaram-se públicas. A insatisfação começou a ficar clara com o lançamento do chamado Draft Zero - o rascunho de declaração final do evento preparado pelo governo brasileiro e submetido às autoridades estrangeiras e à sociedade civil. O documento aponta como prioridades da conferência os temas da "economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza" e o "quadro institucional" para alcançar tal objetivo.
Segundo o embaixador André Correa do Lago, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty, o objetivo é devolver o caráter histórico à Rio+20, colocando lado a lado temas como economia, sociedade e ambiente. Com base nesses três "pilares", seria discutida a nova "governança internacional".
"O Brasil não quer que a nova governança seja de meio ambiente, e sim que ela seja voltada para o desenvolvimento sustentável, ou seja, que acentue que o meio ambiente deve estar no contexto social e econômico", explica Lago.
De acordo com o site de notícias G1, a França, por exemplo, defende que a Rio+20 se concentre em negociações diplomáticas para a criação da Organização Mundial de Meio Ambiente (WEO, na sigla em inglês). "Quanto mais falamos sobre crescimento verde e menos sobre governança, mais estamos perdendo o foco", disse a ministra francesa do Meio Ambiente, Nathalie Morizet.