Fonte: Estado de Minas
Depósito de lixo é interditado
A Polícia Federal lacrou ontem à tarde um depósito de resíduos hospitalares no Centro de Matias Barbosa, na Zona da Mata, a 271 quilômetros de Belo Horizonte. Além de materiais com risco de contaminação, incluindo restos de placentas, seringas e substâncias químicas, os agentes encontraram grande quantidade de medicamentos vencidos e embalagens da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde.
“Um inquérito policial será instaurado para apurar as irregularidades”, informou o delegado Marcos Henrique. Segundo ele, uma equipe de especialistas da PF de Brasília (DF), com equipamentos e roupas especiais, será acionada para periciar o galpão, que apresentava fortes odores. O local também foi alvo de vistoria do Ministério Público Estadual, Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Supram), Vigilância Sanitária Estadual e Polícia Militar do Meio Ambiente.
“A principal irregularidade na área ambiental é existência de resíduos biológicos sem uma câmara fria”, ressaltou João Bosco Maia, coordenador do departamento ambiental da Prefeitura de Matias Barbosa. O órgão foi responsável pela descoberta do depósito, que ocorreu durante uma fiscalização de rotina. Na quarta-feira, o prédio foi interditado pela prefeitura. “Encontramos uma placenta ressecada, demonstrando que o material está há muito tempo ali.”
O depósito foi alugado pela Belmave Soluções Ambientais, que, por sua vez, terceirizou o transporte dos resíduos para a Despoluir. Ambas atuavam há cerca de quatro meses no galpão, que deveria servir de entreposto para os resíduos recolhidos, principalmente em unidades particulares da região.
O advogado da Belmarve, Victor de Lucena Garcia, acompanhou a fiscalização. Embora apresentasse as licenças, ele não mostrou documentos com a data de entrada e saída dos resíduos. O defensor salientou que os detritos biológicos seriam transportados na quarta-feira para empresa que faria a destruição dos resíduos. Já o advogado da Despoluir, Egberto Magalhães Ganimi, alega que, somente ontem, ficou sabendo que funcionários da firma estavam trabalhando sem equipamentos no depósito e que, por isso, preferiu não se manifestar.