Por meio de ofício aos membros, a Amda anunciou esta semana sua saída do Grupo de Trabalho Gandarela. Este foi criado em 2011 em conjunto, além de outros defensores do ambiente, com representantes da mineração e do poder público para discutir a criação do Parque Gandarela, na serra que abriga imensas jazidas do melhor minério de ferro.
"As contribuições mais importantes que a Amda poderia apresentar no âmbito do mesmo, já encaminhadas, claramente não foram bem recebidas pela maioria de seus membros," afirmou o biólogo Francisco Mourão, representante da Amda no GT.
Em carta ao grupo, a Amda manifestou novamente seu posicionamento e considerações a respeito da questão. A primeira delas refere-se à necessidade de se levantar dados consistentes que demonstrem que a biodiversidade dos campos sobre cangas ferruginosas existentes das Áreas Diretamente Afetadas pelos empreendimentos minerários implantados ou planejados para a região estará representada, de forma significativa, nas demais porções do Sinclinal Gandarela, a serem protegidas em forma de unidades de conservação.
Outra sugestão da Amda refere-se à criação e implantação de Sistema de Áreas Protegidas (SAP) envolvendo importantes remanescentes de ambientes naturais na região, desde as serras do Gandarela e do Caraça, no segmento Norte, até as serras de Lavras Novas, Gibrão e Ouro Branco, localizadas no segmento ao Sul. Conforme expresso no ofício, "grande parte dessa área, mesmo no caso das unidades de conservação já criadas, encontra-se ainda extremamente vulnerável à degradação não somente pela falta de conectividade com outras áreas protegidas, mas principalmente em função dos incêndios, expansão urbana e atividades minerárias mal conduzidas."
Mesmo reconhecendo a importância de discussões específicas sobre a criação do parque nacional, para a Amda, o foco principal deveria ser a criação e implantação desse mosaico de UCs, que, caso seja concretizado, poderá tornar-se a maior extensão protegida de todas as regiões metropolitanas brasileiras e de seus colares envolventes.
A participação da entidade no GT foi motivada exatamente por essa visão de futuro. Entretanto, quando houve tentativas de levar este tema para o grupo, a Amda apontou que por vezes as idéias foram rechaçadas de maneiras até agressivas por representantes de movimentos sociais. No âmbito do desafio de se implantar o mosaico, a entidade julga que a Vale, assim como outras empresas que atuam na região, deveriam assumir, dentro dos limites legais, importante função na implantação, gestão e proteção da área, com supervisão e coordenação do poder público. Para a Amda, com a participação de todas elas poderia ser viabilizada uma estrutura de proteção exemplar, capaz de reverter o quadro de destruição que avança atualmente no estado.
A entidade expõe na carta que as discussões no GT parecem apontar para fracasso total dos entendimentos em função da inflexibilidade das partes, que fecha espaços de negociação, resultando em um cenário de constantes repetições de posições que não têm levado a avanço algum.