Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado ontem (25), mares e costas mais limpos e melhor geridos ajudariam a impulsionar o crescimento econômico e a reduzir pobreza e poluição. O relatório, produzido com outras organizações da ONU, destaca o enorme potencial de uma economia baseada nos recursos marítimos cerca de cinco meses antes dos governos do mundo reunirem-se para discutir possíveis caminhos para um desenvolvimento mais sustentável, durante a Rio+20.
Cerca de 40 % da população mundial vive a menos de 100 quilômetros da costa. Desse modo, os ecossistemas marinhos fornecem abrigo, comida e emprego para milhões de pessoas. Porém, a poluição causada por derramamentos de petróleo, fertilizantes, esgotos, resíduos e produtos químicos, bem como o excesso de pesca, prejudicam a saúde e a produtividade dos mares.
Essa tendência poderia ser reduzida por meio do uso dos oceanos para alavancar uma energia renovável e o eco-turismo, além da mudança para sistemas de transporte e práticas de pesca mais sustentáveis. As medidas também poderiam reduzir a vulnerabilidade a mudanças climáticas de ilhas na Ásia e no Caribe, diz o Pnuma.
Fertilizantes, como nitrogênio e fósforo, têm contribuído para aumentar o rendimento agrícola, mas seu uso tem levado à degradação dos ecossistemas marinhos e de águas subterrâneas. A quantidade de nitrogênio nos oceanos aumentou três vezes a partir de níveis pré-industriais e pode crescer mais três vezes até 2050 se nenhuma ação for tomada.
De acordo com o relatório, a poluição marinha custa US$ 100 bilhões somente à União Européia. Isso pode ser reduzido por uma regulação mais dura do uso de fertilizantes e através de subsídios para incentivar a reciclagem de nutrientes.
A economia mundial também poderia ganhar até US$ 50 bilhões por ano com a recuperação das populações de peixes e redução da pesca, de acordo com a Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação e o Banco Mundial.