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01/09/2010
Cerrado em estado de alerta

De acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (1º), para o relatório Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) - Brasil 2010, o Cerrado teve sua cobertura vegetal reduzida quase pela metade, de 2.038.953 km² para 1.052.708 km², sendo que 85.074 km2 (4,18% do total) foram destruídos entre 2002 e 2008.

Segundo o relatório, no período de 2002 a 2008, os estados que apresentaram, em termos absolutos, maior área desmatada foram o Mato Grosso (17.598 km²), Maranhão (14.825 km²) e Tocantins (12.198 km²) e, em termos relativos, Maranhão (6,99%), Bahia (6,12%) e Mato Grosso (4,90%). No mesmo período, as taxas foram mais altas que as apresentadas para a floresta Amazônica.

O levantamento demonstra tendência de aumento das áreas desmatadas vindas do sul e sudeste (Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás) até 2002, desviando-se para o norte e nordeste do Cerrado (Bahia, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão), entre 2002 e 2008. O IBGE alerta que medidas preventivas precisam ser colocadas em práticas nas regiões com taxas mais elevadas, ou o bioma será extinto em pouco tempo.

As informações utilizadas pelo IBGE foram produzidas pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - CSR/Ibama, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente.

Sobre o Cerrado

Segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado é rico em biodiversidade e em recursos hídricos. Os incêndios naturais fazem parte da dinâmica do bioma, mas o uso indiscriminado do fogo, para a expansão agrícola e pastoril, aliado à extração de madeira e carvão vegetal, constituem causas determinantes de seu desmatamento.

A ameaça ao bioma começou a partir da década de 70, quando o ele tornou-se a principal área de produção de grãos no país. A atividade trouxe ganhos econômicos e problemas ambientais, pela introdução de espécies invasoras, uso de agroquímicos e emissão de gases de efeito estufa.

Relatório revela também que a emissão de gases de efeito estufa no país aumentou 62%

O mesmo relatório do IBGE revela que a emissão de gases de efeito estufa no Brasil subiu de 1,35 bilhão para 2,20 bilhões de toneladas de CO² entre 1990 e 2005, um crescimento de 62%. A emissão de gases de efeito estufa aumentou 7,3% entre 2000 e 2005 (de 2,05 para 2,20 bilhões de toneladas). No período anterior, em um intervalo um pouco menor, de 1990 a 1994, o incremento foi de 8,8% -- o que o IBGE aponta como uma tendência de desaceleração.

As atividades que mais emitiram gases de efeito estufa são aquelas relacionadas a mudanças no uso das terras e florestas – que incluem os desmatamentos na Amazônia e as queimadas no Cerrado – que contribuíram com 57,9% do total das emissões líquidas. Em segundo lugar, a agricultura contribuiu 21%, equivalente a 480 milhões de toneladas de CO². Ou seja, a zona rural responde por quase 80% das emissões de efeito estufa no país.

O gas carbônico não é o gás de efeito estufa com maior capacidade de reter calor na atmosfera, mas preocupa pela emissão excessiva. No Brasil, a principal fonte de emissão é a destruição da vegetação natural, praticada durante a "mudança no uso da terra e florestas". O país é um dos dez maiores emissores de gases de efeito estufa para a atmosfera; só essa atividade corresponde a mais de 75% das emissões brasileiras de CO².


Com informações Uol




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