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Cientistas alertam que humanidade não progrediu na conservação do planeta

Novo levantamento reforça alerta dado em 1992 sobre ameaças à Terra

04 de Dezembro de 2017
Foto Projeto
O documento também listou uma série de medidas para salvar o planeta

Em 1992, carta assinada por 1.700 pesquisadores da Union of Concerned Scientists alertou que os seres humanos estavam "em um curso de colisão com a natureza". Após 25 anos, uma segunda carta, desta vez assinada por 15.364 cientistas de 184 países, aponta que as ameaças ao planeta agora são mais severas. O documento foi publicado pela revista científica BioScience.

Na primeira carta, os cientistas descreveram como nos aproximamos, rapidamente, dos limites que a biosfera pode tolerar sem trazer um dano substancial e irreversível.  Conforme o novo estudo, quase todas as ameaças se tornaram mais graves, como a crescente população mundial, que adicionou 2 bilhões de pessoas ao planeta desde a década de 90, um aumento de 35%.

De lá pra cá, se verificou uma redução de 26% na disponibilidade de água doce per capita, aumento de 75% em zonas do oceano que não possuem vida e perda de cerca de 300 milhões de hectares de floresta. Alguns dos problemas agravados foram os desmatamentos, a emissão de gases de efeito estufa e a extinção em massa de diversas formas de vida, que podem ser aniquiladas ou até extintas até o final do século. O único avanço alcançado foi na preservação da camada de ozônio. Fora isso, "a humanidade não conseguiu fazer progresso suficiente", pontuaram os cientistas.

"Especialmente preocupante é a trajetória atual das mudanças climáticas potencialmente catastróficas devido ao aumento de gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis, desmatamento, e produção agrícola, particularmente de ruminantes para consumo de carne", pontuou a carta.

O levantamento enfatizou que enquanto medidas urgentes não forem tomadas, o planeta não será salvo. Mas apesar das previsões não serem favoráveis, os especialistas listaram uma série de medidas para adotarmos um crescimento sustentável:

Priorizar a instituição de reservas ambientais, bem financiadas, nos habitats marinhos e terrestres;
Manter o ecossistema da natureza, interceptando a conversão de florestas em pastagens;
Desenvolver políticas para acabar com a caça furtiva e a exploração do comércio de espécies ameaçadas;
Reduzir o desperdício de alimentos através da conscientização da população, além de promover a reeducação alimentar para evitar o consumo exacerbado de carne;
Limitar as taxas de fertilidade, garantindo que mulheres e homens tenham acesso à educação de planejamento familiar;
Incentivar a educação ao ar livre, especialmente para crianças, a fim de estimular a apreciação da natureza;
Promover a educação para o consumo e incentivar o desenvolvimento de tecnologias ecológicas, visando também diminuir disparidades sociais.