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Como o glitter do carnaval impacta a vida marinha

Material é feito de microplásticos ultrafinos, que escorrem pelo ralo, não são filtrados pelo sistema de esgoto e acabam nos oceanos

Foto Institucional
05 de Fevereiro de 2018

Glitter e purpurina já se tornaram itens obrigatórios para curtir o carnaval. Quanto mais brilho melhor, certo? Não para o meio ambiente. O glitter é composto de microplástico, material não biodegradável e ultrafino. Isso significa que, ao lavar o rosto ou o corpo depois da folia, o glitter escorre pelo ralo, não é filtrado pelo sistema de esgoto e vai parar nos oceanos. É preciso cerca de 450 anos para o material se decompor.

O glitter é produzido a partir de placas de PET ou PVC que são metalizadas com alumínio e depois tingidas com cores diferentes. As placas são revestidas novamente com uma camada transparente para tentar "segurar" a cor e dar consistência ao alumínio. Essas placas são então cortadas em pequenas partículas, os microplásticos.

Eles estão presentes em quase tudo: roupas, cosméticos e até produtos de higiene pessoal. Parte do material é chamada de microbreads, ou grânulos, como os encontrados em pastas de dente e esfoliantes. Entre 1950 e 2015, o ser humano produziu 8,3 bilhões de toneladas de plástico. A maior parte já virou lixo e quase 80% do material está agora em aterros sanitários ou no meio ambiente.

Pesquisas alertam que o microplástico perturba o início da cadeia de alimentação aquática, como os plânctons. Também afetam ostras, mexilhões, peixes, aves marinhas e outras espécies do oceano. Quando se consome peixe ou frutos do mar você também pode estar ingerindo plástico.

Folia sustentável

Você pode continuar brilhando na folia e ainda cuidar do meio ambiente com o glitter biodegradável. Diversas empresas do Brasil e do mundo têm investido no material, feito com algas marinhas ou minerais naturais. Conheça algumas empresas que desenvolvem brilho livre de plástico:

Brilhow
A Brilhow foi criada por duas amigas biólogas apaixonadas pelo meio ambiente e pelo carnaval. A marca usa ágar-ágar pra consistência da purpurina e corantes alimentícios. Outra solução que elas encontraram foi a areia mágica, uma mistura de minerais e farinha de arroz. Além disso, a marca também estimula a reutilização dos frascos como forma de diminuir a quantidade de resíduo descartado.

Glitra Bio
A Glitra Bio mistura manteigas, ceras e óleos naturais à purpurina biodegradável, que é feita à base de celulose de eucalipto. Existem pontos de coleta no Rio de Janeiro e São Paulo e a marca reverte parte do lucro para projetos que lidam com plástico nos oceanos.

Lush
A empresa é conhecida pela linha 100% vegetariana. As pastas de glitter são produzidas com mica, minerais, amidos naturais e até ágar-ágar.

Pura Bioglitter
A Pura Bioglitter nasceu apenas duas semanas antes do carnaval de 2017. O bioglitter chama atenção por ser orgânico e artesanal. O material é feito à base de algas e minerais.

Shock
Presente no mercado desde dezembro de 2016 e uma das pioneiras no lançamento de "coisas lindas e coloridas para se passar no corpo com produção amiga do meio ambiente", a marca nasceu com a ideia de oferecer proteção solar de uma maneira divertida e vegana. Neste ano, a empresa lançou um glitter gel feito de pó de mica.

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