Espécie da vez

Tubarão-baleia: maior peixe do mundo possui temperamento dócil

Espécie está vulnerável de extinção: estima-se que a população global tenha reduzido mais de 50% em menos de um século

Foto Institucional
03 de Julho de 2018

Apesar de lento, o tubarão-baleia (Rhincodon typus) é um peixe altamente migratório que pode ser encontrado em todos os mares temperados, tropicais e quentes do mundo. Inexistente apenas no Mar Mediterrâneo, a espécie é capaz de percorrer centenas de quilômetros em busca de locais com alimento abundante e condições climáticas ideais.

Ele geralmente nada próximo à superfície e pode percorrer de 24 a 28 quilômetros por dia. Em seus mergulhos, pode atingir mais de 2 mil metros de profundidade. Há registros de uma migração realizada do Golfo da Califórnia, no México, até Tonga. A viagem de 13 mil quilômetros durou 37 meses.

O tubarão-baleia pode ser facilmente identificado por seu corpo robusto, além da cabeça larga e achatada. Ele se diferencia dos demais tubarões pela extensão da boca e coloração escura com pequenas manchas claras. Seu tamanho médio é em torno de 12 metros, mas há registro de um indivíduo com 20m de comprimento e cerca de 30 toneladas.

Seu principal habitat é o mar aberto, mas também é encontrado nadando em zonas costeiras e sobre recifes de corais. Em geral seus hábitos são solitários, mas podem formar grupos com mais de 100 indivíduos durante a alimentação. Ao contrário do comportamento violento de espécies como tubarão-branco e martelo, os tubarões-baleia são criaturas bastante dóceis.

Cerca de 75% da população global da espécie está no Indo-Pacífico e 25% no Oceano Atlântico. Estima-se que nos últimos 75 anos os grupos do Indo-Pacífico perderam 63% dos seus indivíduos e os do Atlântico mais de 30%. Combinando dados de ambas as regiões, tudo indica que a população global tenha reduzido mais de 50% em menos de um século.

No Brasil, a espécie ocorre ao longo de toda a costa, com maior concentração nas regiões Sudeste e Sul. As principais ameaças são a exploração pesqueira, captura acidental, turismo e a forte demanda de países orientais por sua carne e nadadeiras. Atualmente, o tubarão-baleia está classificado como vulnerável pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.

Alimentação e reprodução

Sua dieta é rica em algas, plâncton, larvas de caranguejo, zooplânctons, pequenos peixes e crustáceos, todos capturados por meio de sucção. O método consiste em abrir a boca e nadar, de maneira que a água e a comida sejam sugadas. Através de um tipo de filtro presente em seu organismo, o animal consegue separar o líquido e expeli-lo, de maneira que consuma apenas o alimento.

Devido a sua estratégia reprodutora, as fêmeas protegem seus filhotes internamente até que eles eclodam de seus ovos e nasçam. Como todos os tubarões, não há cuidados parentais demonstrados pelas mães em relação aos filhotes depois do nascimento.

Em geral, as fêmeas grávidas ficam em locais específicos, como a Ilha de Darwin, Arquipélago de Galápagos, Golfo da Califórnia e Ilha de Santa Helena, sendo dificilmente encontradas fora dessas regiões. Uma fêmea já foi avistada com mais de 300 fetos.

Sua longevidade máxima é desconhecida, mas a estimativa é que o animal possa viver mais de 100 anos.


Com informações de União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Encyclopedia of Life (EOL)

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