Espécie da vez

Dormideira: a serpente dócil

Jararaquinha é inofensiva, não peçonhenta e útil no controle natural de pragas

Foto Institucional
13 de Maro de 2018

Ao contrário das suas primas jararaca e jararacuçu, a jararaquinha dormideira (Sibynomorphus mikanii) é uma serpente inofensiva e não peçonhenta. Muito semelhante às espécies venenosas, seu corpo é predominantemente branco e marrom com manchas pretas. É chamada de dormideira por seus costumes noturnos e temperamento dócil. Habita o Cerrado e a Mata Atlântica, sendo muito comum em Minas Gerais. No município de Ritápolis, a jararaquinha é uma das cobras mais abundantes.

Por ser uma espécie malacófaga, isto é, que se alimenta essencialmente de moluscos, não é difícil encontrá-la em hortas e plantações à procura de sua presa predileta: lesmas. A jararaquinha é muito caçada pela crença de que é venenosa e prejudicial aos cultivos, mas se mostra útil no controle natural de pragas.

De hábitos terrícolas, é muito comum em ambientes urbanos. Também ocorre em florestas úmidas, bordas de matas, pastagens e áreas secas. Com menos de 100 gramas, macho e fêmea são praticamente idênticos, ou seja, sem dimorfismo sexual. A espécie é ovípara e se reproduz nos meses mais quentes e chuvosos do ano. Põe de três a 10 ovos, entre dezembro e janeiro. Sua gestação acontece de 12 a 13 semanas.

Defesa

Apesar de inócua, a dormideira possui mecanismos de defesa para intimidar quem apresenta perigo. Se ela se sente ameaçada pode triangular a cabeça, em um movimento de expansão do maxilar; pode se esconder, envolvendo parte de seu corpo; pode dar o bote; ou evacuar suas fezes e outras substâncias em momentos de tensão e medo.

Serpentes brasileiras

A dormideira é uma das 392 espécies de serpentes brasileiras catalogadas. O Brasil é considerado o país com a terceira maior diversidade de répteis no mundo. Ao todo são 773 espécies (incluindo tartarugas, jacarés, cobras-cegas, lagartos, serpentes, dentre outros), das quais 40% habitam a Mata Atlântica.

Das 20 espécies de répteis ameaçadas de extinção no país, 13 vivem no bioma. Em Minas Gerais, pesquisas recentes indicam que há mais de 200 espécies de répteis, sendo 139 serpentes. Contudo, pesquisadores indicam que os levantamentos estão subestimados e ressaltam a necessidade de estudos biológicos, ecológicos e morfológicos sobre a classe para a sua conservação.


Com informações da tese apresentada por Vinícius José Pilate a Universidade Federal de Juiz de Fora, em 2017